domingo, 24 de maio de 2015

O Surto

O peito inflado, mais inflado do que ele possa aguentar.O orgulho,esse orgulho em preto e branco, estampado na cara vermelha. Não há nada que possa dissolver o trunfo cínico das minhas incontáveis benevolências. 
O mundo gira, a cabeça, agora sem cabelos, gira. Um rodopiar tão intenso quanto seria se você tivesse me tirado para dançar. E eu dançaria a noite inteira contigo até ver o sol nascente refletido em tuas pupilas. 
Eu sou catastrófica, área de risco, não há porque insistir em manter morada por aqui, ainda fico porque não tenho pra onde ir. Desabarei comigo mesma.
Saí do meu corpo esse noite por tantas vezes que pouco sei sobre essa falta de ar que meu corpo, em prantos, me traz como realidade. Tudo tão irreal. Desde o copo de cerveja nas mãos, até o sorriso estampado por horas a fio na cara redonda.
O susto do surto, tão familiar, amanheceu em mim. A ânsia, o desconforto abdominal, as dores nas pernas, a cabeça pesada, os olhos foscos, tudo me lembrando sobre minha insustentabilidade profissional. Não há nada que eu não conheça tão bem quanto como administrar horas e horas de visita dos mais temidos monstros que moram em meu guarda-roupas. Esperar amanhecer. Esperar as lágrimas caírem. Esperar o vento fresco da manhã secar o suor e acalmar os tremores. Esperar o tempo passar e levar embora a memória dos teus traços confusos.
Abnego a austeridade corrosiva de meus infinitos capricórnios.Não há como escapar, tornei-me epidêmica, cáustica.
Seria estúpido não saber que é chegada a hora de parar, descer do balaço, levantar do banco da praça ensolarada, caminhar sem olhar pra trás, deixar que o vento leve as fitas de cetim do laço que não foi criado. Deixar secar os olhos úmidos e deixar descer a seco, garganta abaixo, o elogio que eu não fiz: seu sorriso é encantador!
Há algum tempo que já não sei jogar esses jogos emocionais, deixo as cartas a mostra, e quando menos espero já não faz sentido jogar, melhor seria te acariciar a pele, te sentir a alma.
Estou de saída, menina. Agradeço a breve (e bela) companhia.

Nenhum comentário: