quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

[...]

o dia hoje parece tão grande
imensamente grande
maior ainda quando eu olho pro telefone,
pro papel, pra tela desse computador.
nenhum deles tem você, só minha mente.
e minha mente me sabota o tempo todo.
dá dor de cabeça.
não por ti, por mim.
eu só queria hoje, não precisar de você
e que você não precisasse de mim, pra nada.
que fosse apenas o acaso, que fossem
apenas os astros a nos guiar pra um encontro
longe das palavras de qualquer teor.
queria apenas deitar no teu colo, ou você no meu, e voltar pra casa calada, como cheguei...
sem saber de nada além do que meu corpo e minha'lma tenham sentido.
e o único problema dentre todas essas palavras é o QUERER.
que fosse por si só, e fosse e só...era tudo que eu queria.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

[os enganos da vida...]

te esperarei para o jantar hoje, dessa vez com mais fome do que da outra.
vou deixar a alça do vestido escorregar pelo ombro, mas só a direita,
que é a do ombro da pinta.
já te falei que faz tempo que eu não cuido das unhas?
é, eu não cuido mais das unhas.
e eu tenho saudades, saudade das coisas que encaixotei.
e agora, tudo que eu escuto é um " cuide-se querida".
pois não, meu anjo, tua voz nunca me pareceu tão asqueirosa.
nunca lembrei-me do teu beijo como hoje, com nojo.
tenho nojo de ter me entregado aos teus braços, tão mais belo foi me entregar aos braços daqueles desconhecidos, que me comeram e me cospiram com muito mais cuidado que você.
o que deu em mim, querida? o que deu em mim pra querer ter-te em minha vida?
a tua que é tão desprezível, e tudo me destes de bom foi uma puta brisa, que durou HORAS, o mesmo tempo que durou a minha fidelidade. a minha PUTANHICE, não fez diferença alguma no teu curriculo, afinal de contas você não contaria à ninguém.
Tudo bem , eu sei que já faz tempo, só quero te dizer que me fudeste a vida, e agora eu tenho que recuperar tudo que me tiraste.
Não! eu nunca te amei, eu só quis te provar, inutilmente te provar que eu posso ser diferente ...
E quer saber, eu consegui.
E mais do que isso , eu provei a mim mesma que eu amo ser quem eu era antes de te conhecer.
Ah , meu amor, que bom que me calaste a boca sempre eu tentei dizer que te amo.
Que bom, meu amor, que agora eu sinto o amor.

[ sim, você fui um mal entendido.]

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Fechando as portas.

Eu quero me despedir de vocês.Não há outra explicação para eu estar aqui, senão para tal.Não há outra explicação para que eu esteja aqui, debruçada no coração, esperando uma inspiração para dizer Adeus à todos vocês.Não peço para que me deixem em paz, não é preciso, pois eu os deixarei em paz, para todo sempre, em paz.Na santa paz de Deus, na paz esvaida em qualquer Deus,em qualquer lugar, em qualquer corpo.Eu os deixo por aqui, finalizando sua estadia em mim , por aqui.Despeço-me especialmente das dores nos olhos,das dores de cabeça e da chatice toda, da chatice toda que faz-me tormento.Sem esquecer das loucuras noturnas, das incertezas diurnas, e das canseiras vespertinas.À todos vocês um belo final de ano, e um grandioso Adeus!
Deixou-os andar por onde quiseres, desde que não atormentem a ninguém, que sejam grãos de areia, folhas nas árvores, e até tataranas, como diz o professor : " Tatarana, tata é fogo, e rana é como parecer!Afinal de contas aquele bicho não parece tatu."Voltando às designações, deixou-os serem tudo neste universo, principalmente quando fizerem o bem.Mesmo que as vezes, na loucura desse mundo, pareça complicado descobrir o que é o bem,mas ah, a gente sempre sabe,caros companheiros, a gente sempre sabe, pelo menos o que é de todo mal.Bom, eñtão, cá estou, eu que por meses os tive como meus próprios parasitas de estimação, peço, ou melhor determino que já não são mais meus, e que não serem mais de ninguém, que sejam parasitas uns dos outros, mas não de mente nenhuma , de alma nenhuma, que não os queira.
Adeus...mais uma, e definitivamente, Adeus.
À Deus.

e essa ansiendade que me consome, que vá, com Deus.

sábado, 27 de dezembro de 2008

d'agua.

pelo menos daqui não podes me ver chorar.
pelo menos daqui, minhas palavras parecem tão frias.
tão tolas.
e elas não são.não são tão impermeáveis, e óbvias.
há quanto tempo eu não as via, há quanto tempo não as comprimentava.
"-olá minhas queridas sem pontos olá".
eu só queria dizer "boa noite".
que pelo menos daqui, bela, não podes me ver chorar.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

das profundezas.

"[...]a roda faz praprapra praprapra,
para a sereia do mar.
saia do mar minha sereia,saia do mar vem brincar na areia
saia do mar sereia minha, saia do mar venha brincar sozinha."

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Grite!

Grite!
É mais que pernas abertas...agora o caminho está aberto. Adentre!
Pare de apertar os dentes!Entre loucos e sadios, cá estamos nós, talvez mais sós que antes,
mas cá estamos nós, com as portas abertas, agora é só caminhar...E eu caminharia, se não fosse a vontade súbita e insistente de correr, de pular, de gritar!
Grite!
É muito mais que boc'aberta, que seios a mostra, que surtos de desejos no piso frio.Aqueça!
Pare, solte o frio que ainda conserva no peito!Entre casas e barracos, carnes e vodka da noite anterior, agora há o dia seguinte...Siga-o!
Grite!
Deixe as palavras, deixe as concordâncias, deixem-as naquelas salas neuróticas!
Que a neurose tá entalada na garganta, a língua na garganta,as pernas abertas, e sol apontando um novo caminho!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

vovó.

Susto que desabrocha quase aos dezoito anos.
Flor rude,flor que espinha mais que aflora.
Sol que nunca nasce, e tanta,tanto é desejado.
O andar desajeitado da cabeça que não crê no céu, 
E o céu que continua a azular, a amarelar, a aguar e desaguar.
E a cabeça que não crê na terra, que não vê um inferno e grita pelos céus de algum santíssimo.
Quase aos dezoito anos e as meias rasgadas de pernas grossas, 
Da pele de moça que se vê tão idosa...
Moça das pérolas,das pérolas que a vovó tanto almejava.
E vovó está a adoecer,talvez mais colorida dessa vez.
Mas a comida agora é escura,tem cheiro de fumaça de escapamento, 
As conversas são malucas tanto quanto o mundo diz que é.
E enquanto vovó pára, a menina-moça continua,e cresce, 
E vê-se como vovó, muito mais do que com ela.
Talvez com um pouco mais de brilho, 
Mas tão menos talento no cozinhar, e tão menos brilho no olhar.
Com um pouco mais de medo,não tanto do escuro.
Aos velhos dezoito anos, e vovó aos jovens sessenta e oito, 
O tempo não pára, e a menina põe-se a gritar :

"Vovó querida , eu me sinto tão velha!"