terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

[eu vim aqui pra lhe dizer...]

Está chovendo, meu amor.Lá fora, atrás do vidro, a chuva encobre tudo.Posso ouvir teus passos arrastados. E ver teu sorriso ao lembrar daquele sorriso antigo.Eu vim até aqui pra lhe dizer, que eu não sei mais, eu não sei mais brincar disso.Eu não sei mais regras e nem quanto vale!
Eu vim até aqui pra lhe dizer, que agora é diferente.Eu cansei de brincar.E acha que gosto disso? Não ! Eu não gosto! Eu detesto substituir as gargalhadas infernais que eu dava quando jogava esse jogo, por lágrimas doídas!Trocar ritmos dançantes e provocantes por essa melodia catastrófica!
Dessa vez dói, sem pedir licença...É que a pouco eu acreditei que era carinho confuso, e era ilusão. Era traição,era vingança, e a arma , era nada mais nada menos que meu coração!Eu deixei, deixei que usassem meu coração! E agora? O que eu faço com essas migalhas mal coladas? O que eu faço com os desenhos e os planos? O que eu faço com meu medo?
Eu vim até aqui pra lhe contar que dessa vez é insegurança de verdade,é ciúmes de verdade!
Já sentiu-se no céu quando cruzou um olhar? E já sentiu que a qualquer momento pode trovejar nesse céu?
Eu tenho tanto medo que você esteja se enganando!Eu tenho medo que sua confusão seja a incerteza da minha presença! Eu tenho medo de que seu 'doce' não tenha acabado!
Eu não posso me enganar de novo! Eu não posso ter errado de novo!
Mostra pra mim que não! Mostra pra mim que eu posso te abraçar sem medo!
Sem pensar!
Eu vim aqui lhe dizer que não sei como dizer, mas que se você quiser ficar, me dê a mão, por que eu tô tão cansada!
E cansada de não ter importancia.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

[tumulto]

Bota um ponto final. Por favor. Eu não aguento mais.
Gostaria de ter ataques.Ataques de felicidade,ataques de tristeza,ataques de nervosismo,ataques de libido.Sem pensar.E novamente falando em pensar.
Tudo que faço é ficar aqui.Deixando as lágrimas escorrerem por todo meu rosto,sem nem ao menos saber o porquê.E o único ataque que eu tenho é o de riso.Que me torna patética.Você sabe que sim, não é mesmo?
Eu perdi o medo da vontade.Perdi o medo do desastre que podemos fazer.Perdi o medo do sentido que pode trazer tudo isso. E deixei perder-se também a beleza inconfundível dos teus olhos. É claro que te acho linda. Assim como te acho confusa.É claro que me embriago no teu olhar.Assim como quero sair sóbria dessa.E cada vez mais o silêncio faz mais sentido...e mais,e mais , e mais.
Já não me importa, e nem me incomoda...se é ele que te faz mais completa em mim, então que venha, e faça de sua estadia a melhor. O melhor silêncio, para os mais belos olhos.
E ainda tem tanta coisa aqui que você não faz idéia que existe.
E eu ainda tenho tanto pra te contar e te mostrar.
São só algumas horas de nostalgia.Não é pelo passado.É pelo presente.
E você tem razão quando diz que o passado é a única coisa que não conseguimos tocar, transformar...E ainda bem que não. Senão de que seriam os novos amores quando se tornarem velhos?
Ah. Hoje minhas palavras não ganham sentidos reais.São tumultadas.Confusas.E contradizem-se o tempo todo.
E não encontro sentido, nem começo, nem fim.
Que a nossa madrugada fique entocada na memória.Das palavras aos gestos.Das lágrimas às risadas.Da fumaça aos carinhos.Do medo aos desejos mais intensos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

[o cheiro novo do velho]

eu posso sentir o cheiro da chuva
a chuva que molha nossa janela,
no alto do prédio...
no alto do medo.

e o orvalho que não existe,
e nosso sonho que não persiste,
no fundo dos olhos,
no fundo do poço.

e os teus olhos ,a consumir-me
a enfeitar-me...
todos aquelas serpentinas,
carregadas nos meus sonhos.

jogadas aos nossos pés,
e só nossos pés,juntos.
e a luta pregada na parede.
e o futuro corroendo o passado.

e o sol não vai sair,
por alguns dias talvez,
e os ruídos - estes ruídos
vão me construir...

e se teu corpo cair sobre o meu,
e se teu olhar seguir o meu,
se tua mão grudar na minha,
eu vou até o fim - e (não) foi nos filmes que eu aprendi.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

[platônica]

Eu quero a imagem que faça querer sair daqui,a música eu já tenho.
E o medo,o medo é tão constante.Essa vontade inconsequente de ser sincera.Essa verdade imutável que não me sai do peito.Como gostaria de não me ofender com minhas cabulações,com minhas próprias mentiras.
E minhas palavras se tornaram tão ralas,gostaria tanto que elas sobresaissem meus desejos, e meus sentimentos.Que sentimentos são esses?Que medo é esse?De todas as coisas e principalmente de coisa nenhuma.Principalmente de coisa nenhuma...de não ter nada,de ter apenas minhas lembraças.Quem são vocês?Por que não posso entrar em suas mentes?é o desafio.não é?!é um que faz parte de um todo.pra que deixar seguir então!?Por que não parar por aqui ? Pra que chorar mais uma vez?Mais noites como aquelas?
Não!Eu não quero gritar aos quatros cantos do mundo que eu aguentaria.Porque eu aguentaria.Mas não quero mais.É tortura demais aguentar!
Eu quero a desculpa certa pra deixar de sentir-me só. E pra não ter medo de estar acompanhada.Eu quero a desculpa mais sincera pra poder pegar na tua mão e te dizer que não há saída,nosso 'texto' já foi escrito.Está na hora de 'encenar'.Não dá,meu anjo.
E dessa vez o anjo, ainda sou eu.Eu me machuquei demais. E aceitei a dor, aceitei o desafio,aceitei minhas insônias incharcadas...aceitei a despedida mais infâme.Mas agora,agora eu não aceito mais.Agora eu quero sentir o sabor do saber sentir.Eu quero sentir sem pensar em nada, sem princípio nem fim.Mas, por que não paro de pensar em você?Por que não paro de pensar no final sem guardar o princípio ?
E minhas palpitações.Minhas fodidas palpitações, não vão parar...Se eu pudesse pará-las.Ah! Se eu pudesse esfriá-las.
Gelar-me por inteira.
Assim como fiz antes de você chegar.
Incrédula...meu asco lhe pertence!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

[ amar e mudar ]


Engenheiros do Hawaii - Alucinação

Eu não estou interessado em nenhuma teoria
em nenhuma fantasia nem no algo mais
longe o profeta do terror que a laranja mecânica
anuncia
amar e mudar as coisas me interessa mais
muito mais...me interessa
.
eu não estou interessado em nenhuma teoria
nessas coisas do oriente, romances astrais
minha alucinação é suportar o dia-a-dia
meu delírio é a experiência com coisas reais
.
um preto, um pobre,
um estudante, uma mulher sozinha
blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais
garotas dentro da noite...revólver:"cheira cachorro"
os humilhados do parque com os seus jornais
me interessam
amar e mudar as coisas me interessa mais
.
um corpo cai do oitavo andar
a solidão das pessoas nessas capitais
a violência da noite...o movimento do trâfego
amar e mudar...amar e mudar
amar e mudar as coisas me interessa mais
.
eu não estou interessado em nenhuma teoria
em nenhuma fantasia nem no algo mais
longe o profeta do terror que a laranja mecânica
anuncia
amar e mudar as coisas me interessa mais

antagoísmo

"Nobody's lost but nobody wins...I can't sleep,I can't speak to you!"



Quando eu escuto você falar parece que nada mais faz sentido.
E é esse o resultado de nem saber o tom da tua voz.
É sobre essas batidas no meu peito, e sobre senti-las sem nem ao menos precisar colocar minhas mãos em mim.
É sobre escrever no escuro, respirar no escuro, escutar no escuro, enxergar no escuro.
É sobre fechar os olhos, e sentir sozinha coisas que ninguém nunca vai descobrir.
E eu ainda não descobri como as árvores dançam.
E eu ainda não entendi como minha alma dança dentro de mim.
Como alguém pode esquecer assim? Por que apagamos como se nada tivesse tido sentido algum?
E quando dormimos tudo se torna tão fugaz. É só dormir ?
Não achei o meu sorriso em qualquer lugar.
Eu não joguei as minhas vidas por qualquer buraco.
É sobre pintar as unhas pra sentir-se melhor.
É sobre acender um cigarro e ter medo de fumar.
É sobre tirar a roupa embriagada.
Sobre reter-me, podar-me ao embebedar-me de um par de olhos.
É sobre sobrar...É sobre burlar, minha própria lei

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

[ nostalgia ]

Você lembra o que me prometeu?
Eu estou tão cansada de voltar ao passado.
Você lembra das mãos que não me ergueu?
Eu estou não exausta dessa imensidão.
Eu já nem me lembro quantas vezes já te busquei.
No fundo,onde ninguém mais poderia te ver...
Quantas vezes você se cortou sem mim ?
Todos aqueles papéis, onde foram parar ?
Eu amei tanto você!
E será que você ainda se lembra das promessas?
Por quanto tempo eu estive de olhos vendados ?
Tua solidão me feriu tanto...
Eu só queria que você soubesse
Das memórias que eu nunca consegui apagar.
Eu só queria voltar pra dizer mais uma vez, o quanto teus olhos me entorpecem.
Se eu pudesse voltar e lhe fazer dizer outra vez todas aquelas promessas.
Será que ainda se lembra delas?